quarta-feira, 25 de setembro de 2013

VIA-LÁCTEA SONETO XXVIII



Pinta-me a curva destes céus... Agora, 
Erecta, ao fundo, a cordilheira apruma: 
Pinta as nuvens de fogo de uma em uma, 
E alto, entre as nuvens, o raiar da aurora. 

Solta, ondulando, os véus de espessa bruma, 
E o vale pinta, e, pelo vale em fora, 
A correnteza túrbida e sonora 
Do Paraíba, em torvelins de espuma. 

Pinta; mas vê de que maneira pintas... 
Antes busques as cores da tristeza, 
Poupando o escrínio das alegres tintas: 

— Tristeza singular, estranha mágoa 
De que vejo coberta a natureza, 
Porque a vejo com os olhos rasos d′água. 


OLAVO BILAC 
In Poesias

2 comentários:

  1. E com os olhos rasos d'água tudo é bem mais nítido, dentro das emoções...
    Abraços!

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