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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

SE PERGUNTAREM POR MIM




digam
-que as raízes de meus ventos dispersaram tantas quimeras
mas que os vendavais de meus dias não perderam ainda suas cores
-que o sol, o mar e as areias da praia fluem
em mim como os acordes de Debussy num fim de tarde
-que todos os azuis e os verdes, às vezes, me habitam
-que, às vezes, sou uma pobre noite sem estrelas puras
-que meus sonhos de tão vagos não encontraram
janelas e nem portas
-que minhas semeaduras se deixam queimar magras,
bem antes que o sol se ponha
-que na musica de tantos dias e noites encontrei
violinos desafinados 
-mas que
na chuva, de tão cinza ao cair
descobri nela
toda uma gama de coloração
de vida
rasgando estradas novas em esperança.


Se perguntarem por mim. . . 



Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo

terça-feira, 30 de abril de 2013

ENTRE O CÉU E O MAR



Entre o céu e o mar
Há o infinito de esperas,
Conflito de incertezas,
Interrogação de cores,
Tristeza no olhar,
Prenúncio de paisagens.

Alvina Nunes Tzovenos
in 'Busca de Infinitos'

sábado, 16 de março de 2013

NUM DIA EM QUE EU FICAR SOZINHA



terei saudade
da manhã em discordância
da flor delirante
e da nudez da nuvem.

terei saudade
da claridade do outono
em esplendor que se despede.

terei saudade
da surpresa da flor singela
com passo choroso
a bater em minha alma
como pingo d’água.

terei saudade
da maciez da noite quieta e morna
com sede de lua falante.

terei saudade
de meu pensamento sonâmbulo
saudade do irreal.

Alvina Nunes Tzovenos
Palavras ao Tempo

domingo, 21 de outubro de 2012

SOFISMAS



Às vezes
eu sou chuva
e escorro pelas valas
da desilusão.

Às vezes
sou vento
e percorro alamedas
inutilmente.

Por que sou chuva?
Por que sou vento?
Por que reclamo poemas?
cânticos tão verdes?
se já sou inverno
a entoar hinos de hosana
entre folhas secas
pisadas
machucadas demais
para inventarmos outra igual.


Alvina Nunes Tzovenos
Palavras ao Tempo

terça-feira, 31 de julho de 2012

DESCOMPASSOS



Baila sob a luz das estrelas.
Desata o fio de teus sapatos.
Deixa que o sol te beije de esperanças e risos.
Faze de tua vida
um hino ao beijar os olhos da manhã
uma harpa ao por os pés no ventre da noite
um rodopio de azuis, de conchas e de búzios.


Deixa que o vento brinque com teus pés
a chuva te beije ate se cansar
as flores e os verdes e os caracóis
enfeitem teus cabelos de verões.


Corre atrás da vida com ternura de criança
e canções plenas de paz
e com risos de palhaços
porque tudo, todos nos
brincamos de viver bem
sempre, sempre
num carrossel
no circo da vida.


Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo

quinta-feira, 3 de maio de 2012

INGENUIDADE


Escrevi meus versos
numa curva do caminho
vazia ou plena
ela descrevia vozes
dançava entre regaços de risos
desenhava solidões
entre cantos
sussurrava distâncias
transmitia saudade
como pássaro que foge

que foge

que morre

Escrevi meus versos ...

- Por onde voam os meus pássaros?
Por que minhas noites
não anoitecem?

Alvina Nunes Tzovenos,
in Palavras ao Tempo


segunda-feira, 2 de abril de 2012

SER CRIANÇA



...botões de rosa se abrindo
antes do amanhecer

um esboçar de sorrisos
num carrossel de risos!

...é dar as mãos
a outras mãos
aprendendo
a ser irmão!

...das bocas de fontes puras,
não descem águas escuras!

...pela esperança do amor
só pede beijos e abraços
para o seu mundo que é cor!

Alvina Nunes Tzovenos
In Sonhos e Vivência