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sexta-feira, 28 de março de 2014

SOLEMNIA VERBA




Disse ao meu coração: Olha por quantos
Caminhos vãos andámos! Considera
Agora, desta altura, fria e austera,
Os ermos que regaram nossos prantos...

Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
E a noite, onde foi luz a Primavera!
Olha a teus pés o mundo e desespera,
Semeador de sombras e quebrantos!

Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do pensar tornado crente,

Respondeu: Desta altura vejo o Amor!
Viver não foi em vão, se isto é vida,
Nem foi demais o desengano e a dor.


Antero de Quental,
in "Sonetos"


sexta-feira, 5 de julho de 2013

CITAÇÃO



 " A literatura, porque se dirige ao coração, 
à inteligência, à imaginação e até aos sentidos,
toma o homem por todos os lados; toca por isso
em todos os interesses, todas as ideias, todos
os sentimentos; influi no indivíduo como na 
sociedade, na família como na praça pública;
dispõe os espíritos; determina certas correntes
de opinião; combate ou abre caminho a certas
tendências; e não é muito dizer que é ela quem
prepara o berço aonde se há-de receber esse
misterioso filho do tempo- o futuro. "

Antero de Quental,
in Prosas da Época de Coimbra

sábado, 20 de outubro de 2012

NOCTURNO


 Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo – triste e lento –
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!

Antero de Quental,
in Sonetos