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domingo, 15 de julho de 2012

TEMA SECULAR



As velhas ilusões são como um bando
de cisnes a vogar em manso lago:
Seguem suaves, silentes; vão sonhando,
ao condão misterioso de um rei mago...

A tarde é um lírio roxo: o ocaso é brando,
e morre à beira-céu, com o um afago;
a lua, errante arcanjo miserando,
ergue-se então com o seu palor pressago...

Há sombras pelos bosques enluarados,
e nos torreóes do céu vultos humanos
envolvem-se em grinaldas de noivados...

Vêm dias, e vêm meses, e vêm anos:
E os cisnes, em casais de bem casados,
seguem singrando o lago dos enganos...


Alphonsus de Guimaraens

domingo, 29 de abril de 2012

ROSAS



Rosas que já fostes, desfolhadas
Por mãos também que já se foram; rosas
Suaves e tristes! Rosas que as amadas
Mortas também, beijaram suspirosas...
Umas rubras e vãs, outras fanadas,
Mas cheias do calor das amorosas...
Sois aroma de alfombra silenciosas
Onde dormiram tranças destrançadas
Umas brancas, da cor das pobres freiras,
Outras cheias de viço e de frescura,
Rosas primeiras, rosas derradeiras!
Ai! quem melhor que vós, se a dor perdura,
Para coroar-me, rosas passageiras,
O sonho que se esvai na desventura?

Alphonsus de Guimaraens