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sexta-feira, 15 de maio de 2015

NINFÉIAS




Eu vou aonde as nuvens
de impossíveis tons se embriagam,
eu nado onde aquáticos leques
se irisam em sonhos
e por arte do encanto se dissolvem.

Eu furto cores,
clico roxos que se miram
em espelhos que me expandem.

Bebo a luz, traço a alma,
eu sou o impressionista ambulante.

Então nem me perguntes
por quais cambiantes geografias me espalho:
meus olhos são câmeras mimadas
meus pincéis são artífices do instante.

Fernando Campanella

domingo, 14 de setembro de 2014

A SOLIDÃO...




“A solidão não nos condena,
não nos culpa, não nos cobra.
Antes, nos redime e nos realimenta. 
E, nos momentos em que nos visita,
recupera-nos em identidade
com todo vento que sopra,
todo riacho que murmura, 
toda luz que enternece.
A solidão é isto: 
a lembrança de um outro mundo,
 um universo que acontece”.

Fernando Campanella

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

JOGO


 
Há os que buscam continentes,
eu fico,
é bem menos sólida
a terra de que me sustento.
(Ah, a densidade dos anjos,
os imprecisos firmamentos.)
 
Há os que apostam em veleiros
e desafiam os ventos,
eu passo.
 
Eu do mar vou abrindo os búzios
que a fúria cega às vezes consente.
 
Meu lance
é a configuração do silêncio.
 

Fernando Campanella
 











terça-feira, 18 de junho de 2013

ITINERÁRIO DAS URZES



Quando eu me sentir triste,
triste de doer, da dor barroca,
ou imemorial, inominável,
sem fundo, sem alças,
triste das coisas cridas,
dos impérios que inventei
ou do que nem senti nascer -
triste da palavra em mortal ferida -
serás meu fiel retorno,
capelinha das urzes, à beira da estrada,
meu cavalo sem peias, minha jornada de ossos -
minha Ítaca, minha Pasárgada.

Fernando Campanella

sexta-feira, 17 de maio de 2013

FERNANDO CAMPANELLA


aquelas gotas de chuva
nas folhas
pesam, pesam...

e se tornam leves
quando não são mais tempo

e

caem

Fernando Campanella

FRUTOS DA TERRA



Benditos os filhos do ventre da terra
que o sol desperta tão cedo
que o trigo e a uva aguardam no campo
para o mágico processo do pão e do vinho.

Benditos os frutos da terra
que se abrem à manhã
em silêncios e cantos
que se mesclam no ar

e os filhos da paz
que ligam o céu ao mundo,
os que reciclam o dia
dele retirando sustento e eternidade. 

Abençoados os que bendizem,
os que curam, os que a dor amenizam
e que por via da tolerância se entendem.

Benditos os que domam a cólera
e se transformam no amor,
amor que bebe da vida em identidade. 

Bendito o sol 
que amadurece os frutos da terra. 
Mais bendita a luz
por que anseia a 'noite escura da alma'.

Fernando Campanella

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

EFEMÉRIDES



(POEMA DE DEZEMBRO)

Dezembro acende as luzes
em ricos pinheiros de natal.
Mas é naquela árvore
solitária nas grotas
ou à beira da estrada
que se agregam os bem-te-vis
e tagarelam as maritacas.

Mangueiras, perobas, flamboyants -
ao pássaro tanto faz:
folhagens são mimos anônimos. 

(Eu insisto em um Deus
que se ergue em tronco
e esparrama os braços
para acolher os seus.)

Fernando Campanella

domingo, 12 de agosto de 2012

CÂNTICOS



Certos cantares são quase eternos,
nascem de uns que sabem a outros
que beberam às fontes,
aos fundamentos do ar.

Certas canções, as trazemos do berço
Ou de antes dos salmos,
as entoamos de cor
anônimas, acéfalas,
só corações pulsantes
de lágrimas e pétalas.

Priscos diamantes -
Cantigas, idílios ou cânticos -
certos cantares seriam eternos
(Os anjos não considerados)
não fosse o princípio,
e desde o princípio
é então a glória do verbo:
amar.

Fernando Campanella

domingo, 29 de abril de 2012

OFÍCIO



Naturezas de borboleta
forjam casulos em silêncio.
Em segredo, universos tramam
O absoluto florescimento.

Tanta beleza em surdina
que já não se conta o tempo.

O ferreiro tece o concreto
em diurno alheamento.

Também meu escopo de arte
por estas vias se encorpa.
Tanta mobilidade, tantas formas
me saíram do bolso
assim como do nada

no mais desprovido silêncio.

Fernando Campanella

terça-feira, 20 de março de 2012

À NOITE SONHAMOS



À noite, seguimos descuidados,
a vida é solta, árvores nítidas de aromas,
flores tão lágrimas de orvalho.

À noite sonhamos em um céu de metáforas
onde a mínima lua
é unha que arrepia segredos
estrelas são hangares pequeninos -
a sombra, um dócil lobo que nos chama.

À noite, rompemos degredos,
volvemos aos ninhos,
somos meninos -

infância distraída de seus medos.



Fernando Campanella