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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

EXAUSTO




Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.


Adélia Prado
In: 'Bagagem'

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

SEI QUE DEUS MORA EM MIM...



Sei que Deus mora em mim
como sua melhor casa.
Sou sua paisagem,
sua retorta alquímica
e para Sua alegria
seus dois olhos.
Mas esta letra é minha. 

Adélia Prado
In: Oráculos de Maio, p. 73


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

SOLAR



“Minha mãe cozinhava exatamente: 
Arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas. 
Mas cantava”. 

Adélia Prado,
in Chorinho Doce

domingo, 1 de setembro de 2013

O SEMPRE AMOR



Amor é a coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é coisa que mais quero.
Por causa dele falo palavras como lanças.
Amor é a coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é coisa que mais quero.
Por causa dele podem entalhar-me,
sou de pedra-sabão.
Alegre ou triste,
amor é coisa que mais quero.

Adélia Prado
In Bagagem

sexta-feira, 1 de março de 2013

IMPRESSIONISTA



Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

- Adélia Prado,
 em "Bagagem"

domingo, 12 de agosto de 2012

MEU PAI

(in memoriam de Adolfo Wichert)



"...O que a memória ama, fica eterno.

Te amo com a memória, imperecível..."





Adélia Prado

terça-feira, 10 de julho de 2012

MEDITAÇÃO À BEIRA DE UM POEMA



Podei a roseira no momento certo
e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar biblicamente
pela hora das coisas.
Quando abri a janela,vi-a,
como nunca a vira,
constelada,
os botões,
alguns já com o rosa-pálido
espiando entre as sépalas,
jóias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com o limite do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizaram-se
diante do recorrente milagre.
Maravilhosas faziam-se
as cíclicas perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.
Só porque é setembro.

Adélia Prado
In Oráculo de Maio

À MESA



Faca oxidada contra a polpa verde,
é roxo o amor.
De amoras, não.
De dor.

Adélia Prado
In Oráculo de maio

terça-feira, 17 de abril de 2012

FRAGMENTO



“(...) Hoje estou melancólica e suspirosa,
choveu muito, a água invadiu este porão
de lembranças, bóiam na enxurrada a
caminho do rio. Deixo que naveguem,
pois não as perderei.
O rio é dentro de mim”.

Adélia Prado


sábado, 31 de março de 2012

EXPLICAÇÃO DE POESIA SEM NINGUÉM PEDIR


Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.

Adélia Prado