Mostrando postagens com marcador Humberto de Campos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Humberto de Campos. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
DOR
"Há de ser uma estrada de amarguras
a tua vida. E andá-la-ás sozinho,
vendo sempre fugir o que procuras
disse-me um dia um pálido adivinho.
"No entanto, sempre hás de cantar venturas
que jamais encontraste... O teu caminho,
dirás que é cheio de alegrias puras,
de horas boas, de beijos, de carinho..."
E assim tem sido... Escondo os meus lamentos:
É meu destino suportar sorrindo
as desventuras e os padecimentos.
E no mundo hei de andar, neste desgosto,
a mentir ao meu íntimo, cobrindo
os sinais destas lágrimas no rosto!
Humberto de Campos
In ‘Poesias Completas’ (1933)
quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
SAUDADES
Dominando a planície, a fronde aberta
Ao Sol, beijada pela ventania,
De áureas flores e pássaros coberta,
Farfalhando, aquela árvore se erguia.
Quando o Sol, pelo azul, a chama experta,
Como um jade crisântemo - se abria,
Cantava logo um rumor d'asa, e, alerta,
Logo o bando de pássaros a enchia.
Era toda rumor. Suaves, bailando
Em torno, havia, namoradas dela,
Borboletas intrépidas, em bando.
E, do chão, como fúlgidas centelhas,
Insetos de ouro vinham ver aquela
Doce amiga de pássaros e abelhas.
Humberto de Campos
In ‘Poesias Completas’ (1933)
CONDOR
VI
Foste um sonho no azul. Viste rolar de perto
A áurea roda do Sol. No etéreo sorvedouro
Do infinito, escutaste os temporais em coro,
O barulho do céu de mil nuvens coberto.
Asas ao vento, a bater no firmamento aberto,
Quanta vez, negro e só, viste, espantado, o louro
Bando de astros faiscar no intérmino Deserto
Como constelações de borboletas de ouro!
E subiste... A Amplidão te acalentou nos braços
Largos. Alto, a rolar, embalde o Sol faiscantes,
Crespas ondas de luz golfejou nos espaços.
E caíste, afinal, palpitante e convulso.
E hoje, guardas no olhar as mil nuvens distantes,
- Astro frio e sem luz, dentre os astros expulso!...
Humberto de Campos
In ‘Poesias Completas’ (1933)
segunda-feira, 30 de julho de 2012
SEMENTE DO DESERTO
No
alto sertão da minha terra
Cai,
misteriosa, uma semente
Que a outras sementes move guerra.
onde ela nasce, de repente,
— Seara de mão cruel e ignota —
A relva murcha, suavemente.
E nas planícies onde brota,
E onde nem sempre é conhecida,
Toda a campina se desbota...
(Semente bárbara e remota,
Quem te semeou na minha vida?)
Humberto de Campos
In ‘Poesias Completas’
Que a outras sementes move guerra.
onde ela nasce, de repente,
— Seara de mão cruel e ignota —
A relva murcha, suavemente.
E nas planícies onde brota,
E onde nem sempre é conhecida,
Toda a campina se desbota...
(Semente bárbara e remota,
Quem te semeou na minha vida?)
Humberto de Campos
In ‘Poesias Completas’
Assinar:
Postagens (Atom)



