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segunda-feira, 27 de abril de 2015

CAIS


Arte de Yuri Obukhovski

Ténue é o cais 
no Inverno frio. 
Ténue é o voo 
do pássaro cinzento. 
Ténue é o sono 
que adormece o navio. 
No vago cais 
do balouço da bruma 
ténue é a estrela 
que um peixe morde. 
Ténue é o porto 
nos olhos do casario. 
Mas o que em fora nos dilui 
faz-nos exactos por dentro. 

Fernando Namora,
 in 'Marketing'

sexta-feira, 7 de março de 2014

BALADA DE SEMPRE



Espero a tua vinda,
a tua vinda,
em dia de lua cheia.
Debruço-me sobre a noite
inventando crescentes e luares.
Espero o momento da chegada
com o cansaço e o ardor de todas as chegadas.
Rasgarás nuvens, estradas,
abrindo clareiras
nas vielas de ciladas.
Saltarás por cima de mares,
de planícies e relevos
— ânsia alada
no meu desejo imaginada.

Mas…
enquanto deixo a janela aberta
para entrares,
o mar,
aí, além,
lambe-me os braços hirtos, braços verdes,
algas de sonho,
…e desenha ironias na areia molhada.



Fernando Namora,
de As Frias Madrugadas,
Editora Arcádia, Lisboa