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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

BERNARDO SOARES



(…)
.
Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre,
pois, não sendo mais, nem querendo ser mais,
que um espectador de mim mesmo,
tenho que ter o melhor espectáculo que posso.
Assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas, palco falso, cenário antigo,
sonho criado entre jogos de luzes brandas
e músicas invisíveis.
.
(…)
.
Bernardo Soares
In Livro do Desassossego

sexta-feira, 20 de abril de 2012

FRAGMENTO




"Os sentimentos que mais doem,
as emoções que mais pungem,
são os que são absurdos
- a ânsia de coisas impossíveis,
precisamente porque são impossíveis,
a saudade do que nunca houve,
o desejo do que poderia ter sido,
a mágoa de não ser outro,
a insatisfação da existência do mundo.
Todos estes meios tons da inconsciência
da alma criam em nós uma paisagem dolorida,
um eterno sol-pôr do que somos...
O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer,
triste de juncos ao pé de um rio sem barcos,
negrejando claramente entre margens afastadas."

Bernardo Soares,


in o Livro do Desassossego