sexta-feira, 20 de abril de 2012

BORBOLETA AZUL


Pequenina borboleta
azul no vento esvoaça:
um tremor de madrepérola
flameja, reluz e passa.
Num átimo, num piscar
de olhos, eu vi assim
flamejante e reluzente
a sorte passar por mim.

Hermann Hesse ,
in Andares
Tradução de Geir Campos

RESSONÂNCIA



Deixa-me ser a gruta à beira-mar,
Longamente a ressoar de Teu rumor eterno.


Helena Kolody
in Viagem no Espelho



VIVÊNCIA


Se sua rua porventura aparecer coberta de pétalas caídas
pela inclemência de um vento qualquer,
Não faça nada.
Deixe-a assim, desordenada e descabida.
São reticências que sobraram da estação passada.
Acabarão varridas pela própria vida.

Flora Figueiredo

FRAGMENTO




"Os sentimentos que mais doem,
as emoções que mais pungem,
são os que são absurdos
- a ânsia de coisas impossíveis,
precisamente porque são impossíveis,
a saudade do que nunca houve,
o desejo do que poderia ter sido,
a mágoa de não ser outro,
a insatisfação da existência do mundo.
Todos estes meios tons da inconsciência
da alma criam em nós uma paisagem dolorida,
um eterno sol-pôr do que somos...
O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer,
triste de juncos ao pé de um rio sem barcos,
negrejando claramente entre margens afastadas."

Bernardo Soares,


in o Livro do Desassossego

quinta-feira, 19 de abril de 2012

QUANDO EU NASCI...


Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...


José Régio

MINHA VIDA NÃO É...




Minha vida não é essa hora abrupta
Em que me vês precipitado.
Sou uma árvore ante meu cenário;
Não sou senão uma de minhas bocas:
Essa, dentre tantas, que será a primeira a fechar-se.

Sou o intervalo entre as duas notas
Que a muito custo se afinam,
Porque a da morte quer ser mais alta…

Mas ambas, vibrando na obscura pausa,
Reconciliaram-se.
E é lindo o cântico.

Rainer Maria Rilke
Tradução: Guilherme de Almeida

terça-feira, 17 de abril de 2012

FRAGMENTO



“(...) Hoje estou melancólica e suspirosa,
choveu muito, a água invadiu este porão
de lembranças, bóiam na enxurrada a
caminho do rio. Deixo que naveguem,
pois não as perderei.
O rio é dentro de mim”.

Adélia Prado


CITAÇÃO



"Parou em frente de uma janela aberta
e compreendeu a noite"

Antoine de Saint-Exupéry,

in Vôo Noturno

DOS CAMINHOS E DESCAMINHOS...



...
Alma sozinha e perdida,
a solidão corre a toda a brida
para nada.
Mesmo assim, nasce a madrugada
sobre as casas vazias
e as penedias.
E tudo, em nós, verão ou primavera,
é uma vasta espera...

Artur Eduardo Benevides

A PALAVRA IMPOSSÍVEL



Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra da verdade.

Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce -
A Palavra que nunca se profere.

Adolfo Casais Monteiro




sexta-feira, 13 de abril de 2012

OS MEUS LIVROS


Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.

Jorge Luis Borges
in "A Rosa Profunda"

quarta-feira, 11 de abril de 2012

PÁSSARO-POESIA


Carrega-me contigo. Pássaro-Poesia
Quando cruzares o Amanhã, a luz, o impossível
Porque de barro e palha tem sido esta viagem
Que faço a sós comigo. Isenta de traçado
Ou de complicada geografia, sem nenhuma bagagem
Hei de levar apenas a vertigem e a fé:
Para teu corpo de luz, dois fardos breves.
Deixarei palavras e cantigas. E movediças
Embaçadas vias de Ilusão.
Não cantei cotidianos. Só te cantei a ti
Pássaro-Poesia
E a paisagem-limite: o fosso, o extremo
A convulsão do Homem.

Carrega-me contigo.
No Amanhã.


Hilda Hilst


terça-feira, 10 de abril de 2012

É PRECISO AMAR O INÚTIL


"É preciso amar o inútil.
Criar pombos sem pensar em comê-los,
plantar roseiras sem pensar em colher rosas,
escrever sem pensar em publicar,
fazer coisas assim,
sem esperar nada em troca.

A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta,
mas é nos caminhos curvos
que se encontram as melhores coisas.

A música ...
Este céu que nem promete chuva ...
Aquela estrelinha que está nascendo ali...
está vendo aquela estrelinha?
Há milênios não tem feito nada, não guiou os Reis Magos,
nem os pastores, nem os marinheiros perdidos...

Não faz nada.
Apenas brilha.
Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil.
Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a Beleza.

Ligia Fagundes Telles
in Ciranda de Pedra


CANÇÃO




O país que procuras
fica além da distância.

Talvez teu passo não o atinja
mesmo se caminhares
toda a tarde do mundo.

O país que procuras
é longe.
Existe à beira dos profundos mananciais
de genesíaco frescor.
Banha-se na clara névoa das origens,
na pura luz da infinita inocência.

Talvez teu passo não lhe atinja
a perdida fronteira,
mesmo se caminhares, caminhares
ininterruptamente
toda a noite da Vida...


Tasso da Silveira,
in Poemas de Antes

CITAÇÃO




Amigo, para mim, é só isto:
é a pessoa com quem a
gente gosta de conversar,
de igual para igual, desarmado.


João Guimarães Rosa

segunda-feira, 9 de abril de 2012

CAIR DE TARDE


Neste cair de tarde
meus cantos são prelúdios.

São começos, apenas,
de largas sinfonias
que tombam subitamente
sem chegar à expressão.

O mistério é muito fundo
para que possa enche-lo outra música
que não a do infinito silêncio.

Tasso da Silveira

FRAGMENTO


"A poesia pretende captar o que existe alem da prosa quotidiana:
a mulher eh uma realidade eminentemente poetica, porquanto nela
o homem projeta tudo o que nao se decide a ser. Ela encarna o sonho,
o sonho eh para o homem a presenca mais intima e mais estranha,
o que ele nao quer, o que nao faz, aquilo a que ele aspira e que nao
pode ser atingido."

Simone de Beauvoir
In O Segundo Sexo

domingo, 8 de abril de 2012

PAUTA



Ao amanhecer
nas pautas do fio de luz
notas de andorinhas...

Delores Pires,
in O Livro dos haicais



DA CERTIDÃO DE NASCER


Nasci onde?
Nasci onde a geografia se faz de sentimento
Ali nasço
Ali nasço ainda.
Cada manhã.
Em cada manhã de medo.
Arremedo.
Degredo a degredo.
Em cada impulso, incompetência.
Na eterna e suave ironia do destino
de mais sentir que saber.
De saber
apenas sei
de quantas palavras
se faz a canoa de afetos.
Embora caminhe torto
por sonhos retos.
Muito aprendi
da palavra engolida em seco.
E da palavra abatida
por palavras de equívoco
e sutis alvenarias de cinismo.
Permaneço aqui
mesmo assim.
Nasço onde a geografia se faz de sentimento.
Entre princípio e fim de mundo.
Aurora a aurora.
Segundo a segundo.

Lindolf Bell


quarta-feira, 4 de abril de 2012

SILÊNCIO E SOLIDÃO




No ponto onde o silêncio e a solidão
Se cruzam com a noite e com o frio,
Esperei como quem espera em vão,
Tão nítido e preciso era o vazio.


Sophia de Mello Breyner Andresen






FRAGMENTO


"...Descobri a doçura de ter atrás de mim um longo passado.
Não tenho o tempo de me narrar, mas às vezes, de improviso,
eu o vejo em transparência ao fundo do momento presente:
ele lhe dá sua cor, sua luz,
como as rochas e as areias se refletem na cintilação do mar.
Antigamente, eu me embalava com projetos, com promessas.
Agora, a sombra dos dias mortos aveluda-me emoções e prazeres..."

Simone de Beauvoir
in “A mulher desiludida”

CANTO

O pássaro cantou
e os ramos vergaram
sob o peso do fruto
e o fruto cantou
sob o peso do pássaro
e o canto pousou
sobre o fruto
e os ramos
cantaram.

Dora Ferreira da Silva

POUSAS A CABEÇA...



Pousas a cabeça num travesseiro que ficou na infância.
Pedes a alguém que acenda a noite.

O ofegar de um paraíso onde caem uma por uma as lendas...

Houve ontem? haverá amanhã? - eis renascem de teus pés
rotos sapatos, desencantada música, um ou outro arrepio
de mão insensata colhendo flores que não desabrocham nunca.


Alphonsus de Guimaraens Filho
In Água do Tempo

terça-feira, 3 de abril de 2012

AQUI ESTÁ A MINHA VIDA


Aqui está minha vida - esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.
Aqui está minha voz - esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.
Aqui está minha dor - este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança - este mar solitário,
que de um lado era amor e, do outro esquecimento.


Cecília Meireles,
in Retrato Natural

QUE É VOAR?




Que é voar?
É só subir no ar,
levantar da terra o corpo, os pés?
Isso é que é voar?
Não.

Voar é libertar-me,
é parar no espaço inconsistente
é ser livre, leve, independente
é ter a alma separada de toda a existência
é não viver senão em não-vivência.
E isso é voar?
Não.

Voar é humano
é transitório, momentâneo...
Aquele que voa tem de poisar em algum lugar:
isso é partir
e não voltar.


Ana Hatherly

ATRASO PONTUAL




Ontens e hojes, amores e ódio,
adianta consultar o relógio?
Nada poderia ter sido feito,
a não ser o tempo em que foi lógico.
Ninguém nunca chegou atrasado.
Bençãos e desgraças
vem sempre no horário.
Tudo o mais é plágio.
Acaso é este encontro
entre tempo e espaço
mais do que um sonho que eu conto
ou mais um poema que faço?

Paulo Leminski,
in Distraídos Venceremos 


PRESERVAÇÃO





Chama-se liberdade o bem que sentes,
Águia que pairas sobre as serranias;
Chamam-se tiranias
Os acenos que o mundo
Cá de baixo faz;
Não desças do teu céu de solidão,
Pomba da verdadeira paz,
Imagem de nenhuma servidão!

Miguel Torga,
In: Antologia Poética




FRAGMENTO



“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs,
ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o
cinza dos dias, bem assim: que seja doce.
Quando há sol, e esse sol bate na minha cara
amassada do sono ou da insônia, contemplando
as partículas de poeira soltas no ar, feito um
pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte:
que seja doce que seja doce que seja doce e
assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse
o que deverá ser doce, talvez não saiba responder.
Tudo é tão vago como se fosse nada.”




Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 2 de abril de 2012

LIVROS


Todos os livros do mundo
felicidade alguma hão de trazer-te,
pois te remetem misteriosamente
em retorno a ti mesmo.

Aqui tens tudo de que necessitas:
sol,estrelas e lua
- pois a luz que querias
em ti mesmo reside.

Sabedoria, que tanto buscavas
em bibliotecas,
em cada uma destas folhas brilha agora:
e é tua, toda.

Hermann Hesse
In Andares

HÁ UM INSTANTE


Há um instante em que a memória é estreita
para conter o mar, o sal, os navios,
a penumbra branca das gaivotas.

Um instante de nudez perfeita.


Albano Martins
in 'Em tempo e memória'

SER CRIANÇA



...botões de rosa se abrindo
antes do amanhecer

um esboçar de sorrisos
num carrossel de risos!

...é dar as mãos
a outras mãos
aprendendo
a ser irmão!

...das bocas de fontes puras,
não descem águas escuras!

...pela esperança do amor
só pede beijos e abraços
para o seu mundo que é cor!

Alvina Nunes Tzovenos
In Sonhos e Vivência

DESEJO


Quero asas de borboleta azul
para que eu encontre
o caminho do vento,
o caminho da noite,
a janela do tempo,
o caminho de mim.

Roseana Murray

SOU LIVRE...



"Sou livre para o silêncio das formas e das cores."

Manoel de Barros

SCRIPT





Não gosto do papel que me foi destinado.
Respeito a seda e o brocado,
seu brilho,
sua textura,
seu fio dourado.
Subo nos saltos,
caminho nos mais altos cumes
da linhagem.
Visto a roupagem,
seguro o cetro
e arrasto os metros de nobreza pelo salão.
Só que prefiro o pé na terra,
o mar,
a selva,
a serra.
Os meus andrajos feitos de linho e algodão.

Flora Figueiredo

REQUIEM





Há mortos que demoram a morrer
é inútil sepultá-los eles voltam
demoram-se por vezes numa sombra
num braço de cadeira ou no rebordo partido
de uma chávena. Ou então escondem-se
em pequenas caixas sobre as mesas.
Há objectos que ficam cheios deles
são como o resto transmudado dos ausentes
sua marca na casa e no efémero.
Por isso custa tanto retirar o prato e o talher
arrumar os fatos desfazer
a cama. Há mortos
que nunca mais se vão embora.
Há mortos que não param de doer.

Manuel Alegre

HOJE À NOITE




Lua alta
Faltei
E ninguém sentiu
A minha falta

Paulo Leminski,
in Toda Poesia

domingo, 1 de abril de 2012

REMISSÃO


Naquele dia fazia um azul tão límpido, meu Deus,
que eu me sentia perdoado pra sempre não sei de quê.

Mario Quintana
in: Caderno H

sábado, 31 de março de 2012

BUGANVÍLIAS


Elas sobem paredes,
rondam portões,
derrubam cores aos borbotões.
Litigantes,
empurra-empurram-se
Buganvílias
em vicejante briga de família.


Flora Figueiredo

SÃO ESTAS AS CORES


Se a alguém tens
de agradecer, agradece
primeiro à vida.Por isto,
quanto mais não seja: por teres
nascido de pé e de pé
resistires aos temporais
como as árvores
de raízes fundas.Como a elas,
só te arrancarão à força.Podem,
então, encher-te a boca de terra e os olhos
de sal. São estas
as cores da vergonha.

Albano Martins
In Escrito a Vermelho

EXPLICAÇÃO DE POESIA SEM NINGUÉM PEDIR


Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.

Adélia Prado

sexta-feira, 30 de março de 2012

DA MÚSICA


A música derrama-se
no corpo terroso
da palavra.
Inclina-se
no mundo em mutação
do poema.

A música traz na bagagem
a memória do sangue;
o caminho do sol:
Lume e cume
de palavras polidas.

A música rompe um rio de lava
por si mesmo criado.
Lágrima endurecida
onde cabem o mar
e a morte.

Casimiro de Brito,

in "Canto Adolescente"

A HÓSPEDE

(foto by Simone W. Grande)

Não precisas bater quando chegares.
Toma a chave de ferro que encontrares
sobre o pilar, ao lado da cancela,
e abre com ela
a porta baixa, antiga e silenciosa.
Entra. Aí tens a poltrona, o livro, a rosa,
o cântaro de barro e o pão de trigo.
O cão amigo
pousará nos teus joelhos a cabeça.
Deixa que a noite, vagarosa, desça.
Cheiram à relva e sol, na arca e nos quartos,
os linhos fartos,
e cheira a lar o azeite da candeia.
Dorme. Sonha. Desperta. Da colméia
nasce a manhã de mel contra a janela.
Fecha a cancela
e vai. Há sol nos frutos dos pomares.
Não olhes para trás quando tomares
o caminho sonâmbulo que desce.
Caminha - e esquece.

Guilherme de Almeida

ARAUCÁRIA


Nasci forte e altiva,
Solitária.
Ascendo em linha reta
- Uma coluna verde-escura
No verde cambiante da campina.
Estendo braços hirtos e serenos

Não há na minha fronte
Nem veludos quentes de folhas
Nem risos vermelhos de flores,
Nem vinhos estoantes de perfumes.
Só há o odor agreste da resina
E o sabor primitivo dos frutos.

Espalmo a taça verde no infinito.
Embalo o sono dos ninhos
Ocultos em meus espinhos,
Na silente nudez do meu isolamento

Helena Kolody

CITAÇÃO


"Se depender de mim, nunca ficarei
plenamente maduro nem nas idéias,
nem no estilo,mas sempre verde,
incompleto, experimental".

Gilberto Freyre

O QUE ME DÓI...


O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão ...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.

Fernando Pessoa
in Cancioneiro

quinta-feira, 29 de março de 2012

ALBA


Não faz mal que amanheça devagar,
as flores não tem pressa nem os frutos:
sabem que a vagareza dos minutos
adoça mais o outono por chegar.
Portanto não faz mal que devagar
o dia vença a noite em seus redutos
de leste - o que nos cabe é ter enxutos
os olhos e a intenção de madrugar.


Geir Campos

E AO ANOITECER



e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele de uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto

ANIVERSÁRIO DE CURITIBA - 319 anos

foto by Daniel Caron

"Curitiba é prosa em forma de poesia.

Aqui não há mar nem montanhas.

A beleza concreta de suas esquinas é mais sutil,

cor viva que brota de seu povo"


Daniel Caron

CURITIBA



Cidade, sorriso.
Em cada esquina uma rima.
Canção, paraìso...

Delores Pires

CURITIBA


Atrás do lençol de nuvens
Curitiba
meu exercício de sonhos.


Edival Perrini
in armazém de ecos e achados