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terça-feira, 25 de setembro de 2012

FRONTEIRA




Há o silêncio das estradas
e o silêncio das estrelas
e um canto de ave, tão branco,
tão branco, que se diria
também ser puro silêncio.
Não vem mensagem do vento,
nem ressonâncias longínquas
de passos passando em vão.
Há um porto de águas paradas
e um barco tão solitário,
que se esqueceu de existir.
Há uma lembrança do mundo
mas tão distante e suspensa...

Há uma saudade da vida
porém tão perdida e vaga,
e há a espera, a infinita espera,
a espera quase presença
da mão de puro mistério
que tomará minha mão
e me levará sonhando
para além deste silêncio,
para além desta aflição.


Tasso da Silveira
In Regresso à Origem

quarta-feira, 25 de julho de 2012

VINHO


É Puro o vinho deste odre,
vindo de preclaros vinhedos.
Apanha-o na taça de ouro,
ou no tarro de barro,
ou no caneco rústico:
- em qualquer humilde vasilha
ele te dará sempre o sabor transcendente
que trouxe de suas altas origens.


Tasso da Silveira
in Poemas de Antes

sexta-feira, 27 de abril de 2012

TASSO DA SILVEIRA



Os seres amados são sombras que se apagam,
são sombras de um jardim, no entardecer.

Nós tínhamos no olhar o encantamento
dos lúcidos recortes,
dos arabescos harmoniosos
desenhados no chão.

Mas um por um diluiram-se os desenhos
numa sombra maior ...

Os seres amados são sombras,
são sombras de um jardim, no entardecer ...


Tasso da Silveira
in Poemas

terça-feira, 10 de abril de 2012

CANÇÃO




O país que procuras
fica além da distância.

Talvez teu passo não o atinja
mesmo se caminhares
toda a tarde do mundo.

O país que procuras
é longe.
Existe à beira dos profundos mananciais
de genesíaco frescor.
Banha-se na clara névoa das origens,
na pura luz da infinita inocência.

Talvez teu passo não lhe atinja
a perdida fronteira,
mesmo se caminhares, caminhares
ininterruptamente
toda a noite da Vida...


Tasso da Silveira,
in Poemas de Antes

segunda-feira, 9 de abril de 2012

CAIR DE TARDE


Neste cair de tarde
meus cantos são prelúdios.

São começos, apenas,
de largas sinfonias
que tombam subitamente
sem chegar à expressão.

O mistério é muito fundo
para que possa enche-lo outra música
que não a do infinito silêncio.

Tasso da Silveira

quinta-feira, 29 de março de 2012

INVERNO



Chegou junho...

E Curitiba vestiu-se toda de branco
e apertou o seio túmido,
que cheira a malva, em rendas alvas,
e pôs no cabelo a estrela da manhã
pensando que o sol claro
era um príncipe louro e jovem
que vinha
todo coberto de ouro,
para pedir-lhe a mão...
Oh, logo à noite, ela porá, sem dúvida,
o seu colar de fogueira de São João...

Tasso da Silveira,
in Canções a Curitiba
& outros poemas